THREE - DIAS DO FIM

Para os mais curiosos e impacientes fica aqui um excerto inédito da conversa que o “nosso” [F.R.] teve com o talentoso Joey Eppard – vocalista, guitarrista e mentor dos norte-americanos THREE – acerca da novidade «The End Is Begun».
Tinham muito mais pessoas à espera deste disco do que alguma vez tiveram. Isso representou, de algum modo, uma pressão para vocês para começaram a escrever?
Sim, existiu muito mais pressão desta vez. Tivemos que fazer este disco em cerca de metade do tempo que tivemos para fazer o «Wake Pig», por isso foi um pouco mais stressante – nem que fosse apenas pelo facto de sabermos que tínhamos um prazo a cumprir. Na última fase estive basicamente a gravar vozes até ao minuto em que tive que pegar no carro e ir para o aeroporto, onde tinha um voo marcado para a outra costa para misturar o álbum. Foi tudo até ao último minuto, basicamente. O mais engraçado foi que todo o material que fizemos à última hora é o meu favorito do disco. É engraçado ver isso acontecer.
Os Three ainda estão abertos a influências exteriores ou o vosso estilo único impede-vos de incorporarem coisas que escutem hoje em dia e de que gostem muito?
Simplesmente adoro boa música... Provavelmente não escuto boa música nova suficiente, porque ando sempre tão ocupado. No entanto, de vez em quando, deparo-me com bandas que são verdadeiramente excitantes e que fazem coisas únicas. Adoro música – sou um fã de música tal como todos vocês, por isso quando escuto alguma coisa boa adoro-a. Uma banda que conheci há pouco tempo chama-se Kiss Kiss, que para dizer a verdade vive bastante próximo de nós aqui em Nova Iorque. São uma banda muito porreira; as pessoas chamam-lhe “circus rock”. As músicas são um pouco como as nossas, no sentido de serem progressivas, de composição estruturada e muito melódicas, não sendo muito longas. São um grupo muito excitante – tenho a certeza de que vão ouvir falar deles, caso não tenham ainda.
Pareces ser muito eficiente a analisar as vossas próprias músicas, por isso gostaria que analisasses a minha música favorita do disco – «Serpents In Disguise».
Essa foi precisamente a última música de que gravei as vocalizações e a que cantei sob o maior volume de pressão. Nessa altura já estávamos atrasados e obtivemos uma extensão para terminar o disco, porque já tínhamos cumprido o tempo de estúdio que nos estava destinado. Mas tínhamos outro estúdio alugado na Costa Oeste, onde tínhamos o Toby Wright, que é um excelente misturador, à espera do disco para fazer as misturas. Obviamente, devíamos lá estar com ele. Por isso tinha que ir embora e tive muito pouco tempo para escrever as letras, terminar as melodias e gravar as minhas partes dessa música. Tive dois dias para escrever as minhas partes e gravá-las, por isso basicamente fiquei acordado durante dois dias seguidos. Na ponta final a minha voz estava a ficar com uma qualidade um pouco “crua” por não dormir há tanto tempo, por isso gravei a música no limite das minhas capacidades e no final do tema a voz acaba por ter um tom que nunca tínhamos gravado e que só tenho ao vivo, por vezes. Acabámos por gostar muito do resultado final. Nenhum dos outros tipos da banda ouviu as vocalizações desse tema antes da música estar já misturada, por isso nem sabiam como ia sair. Acabou por ser uma das nossas favoritas. Existem muitas formas de olhar para ela, mas a «Serpents In Disguise» brinca um pouco com a ideia de haver um controlo de outra dimensão ou realidade, tipo uma força obscura. Por vezes observamos – especialmente aqui na América – os nossos políticos e temos de questionar quem puxa realmente os cordelinhos. A música é sobre isso.
A primeira coisa que os fãs dos Three pensaram quando souberam que o Josh [Eppard, irmão de Joey] tinha saído dos Coheed & Cambria foi que as vossas relações com essa banda iriam esfriar e que à primeira oportunidade o Josh regressaria aos Three. Alguma dessas hipóteses faz sentido?
Claro. Fazem sentido, mas a verdade é que encontrei-me com os tipos dos Coheed & Cambria quando fomos à Costa Oeste e estamos todos bem uns com os outros e somos amigos. O Mic Todd regressou à banda, mas o Josh não vai voltar – pura e simplesmente não quer. Tem o próprio projecto dele e tem trabalhado no próximo disco disso – o novo dos Weird Science. Por vezes as coisas não correm da maneira como pensamos que vão correr, mas acontece tudo por um motivo. Estávamos em digressão com os Coheed & Cambria quando se soube oficialmente que o Josh ia sair da banda. Ao princípio os tipos estavam tipo “Isto vai ser um pouco estranho e incómodo”. Mas depois disse-lhes “Escutem, ninguém vos compreende melhor do que eu, porque já passei por isso”. Porque para dizer a verdade, já se passou o mesmo comigo: depois de conseguirmos o primeiro contrato discográfico para os Three, há muito tempo atrás, as coisas correram um pouco mal com a editora e o meu irmão saiu da banda. Por isso já passei por esta situação uma vez com o Josh... Para dizer a verdade, de certo modo acabou por unir-nos ainda mais. Temos uma relação tipo, de eu chegar ao pé dele e dizer “Ei Josh, queres fazer alguma coisa em Three?”, porque ele será sempre um membro desta banda para mim. Ele é um óptimo conselheiro e fez definitivamente parte deste disco com os seus conselhos. Quando chegarmos de novo ao nível em que chegámos a estar no tour bus, talvez ele pense em sair de novo connosco e consigamos todos sobreviver dentro de uma caravana.
